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Tereza Cristina, Ministra da Agricultura
04/11/2019 15:30 • Notícias
União de quatro entidades forma a CropLife Brasil

Fomentar a inovação e tecnologias no campo, tanto para grandes quanto para pequenos produtores e trazer mais informação para desmistificar o agronegócio brasileiro. É com esses objetivos que foi inaugurada, oficialmente, a CropLife Brasil. O evento aconteceu nesta quinta-feira (31) em Brasília (DF) diante da presença de autoridades como os ministros do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e da ministra da Agricultura, Tereza Cristina.

A associação é uma junção de quatro importantes entidades voltadas para defensivos agrícolas (químicos e biológicos), biotecnologias e sementes. São elas a Associação Nacional de Defesa Vegetal (ANDEF), a Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio), a Associação das Empresas de Biotecnologia na Agricultura e Agroindústria (AgroBio) e o Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB). Com a fundação da CropLife Brasil essas entidades deixam de existir para constituir uma só, unificando os comitês de trabalho sobre o mesmo assunto.

Esta nova entidade vai reunir assuntos como pesquisa e inovação com objetivo de fomentar a agricultura brasileira, focando em produtividade e sustentabilidade. Entre os temas soluções nas áreas de germoplasma, defesa vegetal, tecnologia, biotecnologia e agricultura digital. “Esse movimento de unificação vinha sendo discutido há três anos e envolveu processos empresariais, políticos e administrativos. O agro terá um espaço para melhorar a informação e comunicação. Vamos apresentar todos esses assuntos ao produtor e à sociedade como um todo”, destaca Christian Lohbauer, presidente executivo da CropLife Brasil.

Tecnologia, inovação, comunicação e qualificação

“O agro cresce a cada dia, traz tecnologias para as propriedades mas não sabe comunicar isso”. Essa foi a preocupação de todos os discursos. A produção de alimentos, fibras e biocombustíveis que hoje permeiam o agro brasileiro em sua totalidade nem sempre são bem vistas pelo público urbano, seja por desconhecimento ou informação errada. O pesquisador da Universidade de Indiana, Jack Bobo, pela primeira vez no Brasil, destacou a preocupação crescente da população com a qualidade e segurança dos alimentos que consomem e citou os desafios de produzir com sustentabilidade. Em 2050 a população mundial deve chegar a 9 bilhões e grande parte não conhece a origem do agronegócio, considerou na palestra de abertura do evento.

Para o presidente do Conselho Diretor da CropLife Brasil, Eduardo Leduc, o desafio está em comunicar. “O produtor já usa todas as ferramentas (defensivos, sementes, tecnologia) de forma unificada no campo. Faltava um diálogo único. A integração das tecnologias utilizadas no campo com as boas práticas é fundamental. Temos que criar mais impacto na comunicação, com o público e com o governo, para que a informação chegue de forma correta. Queremos uma agricultura competitiva, segura e inovadora” completou.

Um dos grandes objetivos da nova entidade é que grandes produtores e pequenos produtores passem a ser vistos como um só, com acesso às mesmas possibilidades tecnológicas. Serão oferecidos cursos gratuitos presenciais, com ações de educação e treinamento para produtores rurais, sociedade e até para crianças em escolas. Essas conversas devem divulgar informações qualificadas sobre tecnologias e boas práticas para a produção sustentável de alimentos.

“Vivemos hoje a agenda do medo: que não vai ter mais florestas, que a água vai acabar, que as doenças antes erradicadas vão voltar. E tudo isso em um tempo onde temos mais informação, de forma mais rápida. Por incrível que pareça época em que também temos mais desinformação. Como o agro vai sair dessa? Uma instituição como A CropLife Brasil chega com essa força, para complementar. O produtor vai ganhar transparência de dados. Vamos fazer treinamentos, explicar o que são os defensivos agrícolas e como funcionam, o que é uma semente tratada para que as pessoas se informem e não tenham dúvida do que estão comendo”.

“Produzir em um país de clima tropical e com incertezas econômicas e ainda assim alcançar a liderança é sinônimo de tecnologia, inovação e sustentabilidade, produzindo alimentos saudáveis, atendendo às rígidas normas brasileiras. Isso é credibilidade”.

“Se você pega o número de aplicação total de defensivos por hectare no Brasil estamos longe de estar na liderança. A aprovação de novas moléculas é modernizar o processo. O ministério do Meio Ambiente tem a missão de esclarecer essa questão para a sociedade e a CropLife Brasil será nosso parceiro nisso. O nível de desinformação sobre o agro brasileiro pelo mundo é grande. Desconhecem a real situação de nossas florestas, áreas de preservação permanente, a sustentabilidade da prática agropecuária”.

“Comunicação é o nosso maior desafio. Esse será o grande ganho com esse junção de instituições. Temos de volta uma grande agricultura, toda ela centrada no Mapa. Ainda temos desequilíbrios entre os grandes e os pequenos produtores. Vamos juntos resolver isso”.

Histórico

A CropLife foi fundada em 2001, na Bélgica. Atualmente tem escritórios nos Estados Unidos, Canadá, Austrália, África, América Latina e Oriente Médio. A unidade Brasil tem 14 empresas como fundadoras e já são 29 que aderiram à ideia. Potencial de chegar a 40.

Os comitês de trabalho devem começar a ser instalados em novembro com a criação de um plano estratégico e uma proposta robusta de comunicação do agro e boas práticas agrícolas. A fase de alinhamento e unificação da propostas de trabalho, antes feitas separadamente por cada entidade, pode seguir em consolidação durante todo o ano de 2020.

Fonte: Agrolink