algodao_foto_norbertino_angeli
08/10/2021 17:00 • Notícias
Perspectivas para 2022 pautam agenda da Abrapa com mercado mundial

A Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa) marcou o Dia Mundial do Algodão, celebrado ontem (7), com uma programação especial para o mercado internacional. Além de dois painéis exclusivos durante o Congresso da International Cotton Association (ICA), ocorrido em Liverpool (Reino Unido), a entidade participou de eventos setoriais em Bangladesh e Índia e de painel da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

"O algodão brasileiro está em constante evolução. Crescemos em volume, mas principalmente em qualidade, e ofertamos hoje um produto cada vez mais responsável. É importante mostrarmos todas essas conquistas para o mercado comprador", pontuou o presidente da Abrapa, Júlio Cézar Busato.

O Brasil tem ampliado a produção, conseguindo atender a demanda doméstica com tranquilidade. O excedente é exportado e cerca de 99% das 2,4 milhões de toneladas embarcadas de julho de 2020 a agosto de 2021 tiveram o mercado asiático como destino. Esse volume credencia o País como o segundo maior exportador mundial.

Busato participou do Brazil Regional Forum promovido pela ICA, na manhã de quinta (7), com cotonicultores brasileiros de grande escala. "Temos aqui mais de 90% do nosso algodão, o que equivale a mais de um milhão de toneladas. É um fórum de grande representatividade", comentou.

Aurélio Pavinato, diretor-presidente da SLC Agrícola, lembrou da evolução vivida pelo segmento produtivo nas últimas décadas. "É preciso olhar o filme todo, e não apenas a foto. Quando a cultura foi para o Cerrado, o foco foi ampliar volumes e produtividade. De dez a cinco anos para cá, a prioridade tem sido melhorar a qualidade da pluma. Investimos em novas variedades de sementes e o resultado é que somos hoje um ótimo fornecedor de algodão premium", avaliou. No Brasil, 100% da colheita é mecanizada, o que resulta em um algodão sem contaminação em larga escala, diferencial para o mercado externo.

A sustentabilidade foi o aspecto mais destacado no fórum. O presidente da Abrapa informou que, em 2021, 81% de toda a produção brasileira foi certificada pelo programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), tornando-se elegível também para a licenciamento mundial da Better Cotton Initiative (BCI). "Nosso programa começou em 2012 e, em menos de dez anos, ampliamos em mais de cinco vezes o número de propriedades e de fardos certificados", destacou.

"Nosso algodão é produzido em sequeiro, respeitando rígidas legislações ambiental, trabalhista e fundiária e é 100% rastreável, o que confere mais estabilidade e transparência para os compradores", citou Pedro Valente, diretor da Amaggi Agro. O executivo enfatizou a transparência da produção, uma demanda crescente nos mercados internacionais.

A safra 20/21 de algodão está estimada em 2,32 milhões de toneladas, das quais 99% já foram colhidas e 55% já foram beneficiadas. É um volume menor que o realizado no ciclo anterior, mas as projeções são otimistas. "Teremos o segundo melhor ano da cotonicultura nacional no ciclo 2022", destacou o diretor de Relações Internacionais da Abrapa, Marcelo Duarte.

A redução de área na temporada passada foi influenciada por questões climáticas. "Mais de 60% do nosso algodão é plantado no mesmo ano, após a cultura da soja, cujo ciclo atrasou no ano passado. Mesmo assim, conseguimos cumprir todos os contratos, porque sabemos trabalhar com margens financeiras que permitem mais investimento quando as condições climáticas não beneficiam as lavouras", explicou André Sucolotti, do grupo Nadiana. "Investimos muito para garantir a produção e a produtividade mesmo com restrições climáticas. Com isso, adquirimos a segurança necessária para as safras, porque pesquisamos e cuidamos bem do solo", complementou Eraí Maggi, acionista da Bom Futuro.

Para Pedro Valente, o perfil do produtor brasileiro ajuda a compreender essa situação. "O cotonicultor pensa a longo prazo. O brasileiro costuma comercializar de 70% a 75% da safra de algodão antecipadamente. Isso significa estabilidade para quem compra", disse. Arlindo Moura, presidente do Conselho de Administração do Grupo Santa Colomba, concorda. "Mais importante que o volume entregue é o cumprimento dos contratos acordados, e nesse item o Brasil é reconhecido internacionalmente", ressaltou.

Os desafios logísticos que o mundo enfrenta atualmente podem ter uma influência mais sutil sobre o escoamento da safra 2021/22, observou o presidente da Associação Nacional de Exportadores de Algodão (Anea), Miguel Fauss. "Os gargalos serão aliviados porque a carga a ser embarcada será um pouco menor. Esperamos que, na safra 2022/23, o déficit de contêineres já tenha se normalizado", previu.

Fauss também participou online de webinar da Bangladesh Cotton Association (BCA) na manhã de ontem (7), ao lado do vice-presidente da Abrapa, Alexandre Schenkel. "Bangladesh é o segundo maior cliente do algodão mundial e compra 11% da fibra produzida pelo Brasil. É um player fundamental para nós", afirmou Schenkel.

O dirigente da Abrapa também apresentou os números da safra brasileira em outro evento online realizado no Dia Mundial do Algodão (7) - desta vez, pela Confederação Indiana da Indústria Têxtil (CITI, na sigla em inglês). "Em 2022, teremos uma safra maior de algodão e com ainda mais qualidade. Mais de 80% da nossa fibra já é certificado pelo programa ABR, que o torna elegível para créditos BCI, além de ser totalmente sem contaminação", destacou o vice-presidente.

A Abrapa também marcou presença em evento virtual realizado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), em comemoração ao Dia Mundial do Algodão. O diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, participou de pinel sobre a contribuição das associações para o fortalecimento da cotonicultura na América Latina e no Caribe.

Nesta sexta (08/10), ocorreu uma rodada de negócios reunindo representantes das principais tradings que operam com algodão do Brasil para o mundo, com a participação de produtores rurais e empresários do setor, dentro da programação do evento anual da ICA. A principal mensagem trazida pelos convidados foi a importância da rastreabilidade, para assegurar a sustentabilidade do produto brasileiro. Também foram abordadas dificuldades logísticas iminentes e a comercialização da próxima safra.

Fonte: Abrapa