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19/07/2019 13:00 • Notícias
Galgando degraus
Oportunidades vêm com a demanda internacional e a retração dos concorrentes

Em velocidade de cruzeiro, a cotonicultura brasileira trabalha para assegurar em 2019 a condição de segunda maior fornecedora mundial

Oportunidades vêm com a demanda internacional e a retração dos concorrentes

O Brasil está a caminho de se tornar o segundo maior exportador de algodão em pluma do mundo, embarcando 1,3 milhão de toneladas no ano comercial que vai de julho de 2018 a junho de 2019, de maneira a ficar atrás apenas dos Estados Unidos em fornecimento para o mercado mundial. Nesta temporada, com 1,04 milhão de toneladas embarcadas até abril, o País já bateu seu recorde na exportação da commodity, que era de 1,03 milhão de toneladas, entre julho de 2011 e junho de 2012.

Desde então, o volume embarcado oscilava entre 500 mil e 900 mil toneladas por ano. Os norte-americanos, com 3,45 milhões de toneladas negociadas no mundo, são líderes absolutos do comércio global, e o país a ser superado pelo Brasil é a Índia, que teve problemas climáticos e tem oferta menor nesta temporada. A Austrália vem em seguida, também com problemas de oferta por causa de uma longa estiagem.

Com safra 2017/18 fixada em 2 milhões de toneladas e consumo em pouco mais de 700 mil toneladas por ano, essas vendas representam o excedente colhido no ciclo. Henrique Snitcovski, presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), acredita que é possível alcançar a meta de 1,3 milhão de toneladas embarcadas, graças à conjuntura favorável que se estabeleceu no ciclo de comercialização. Dessa forma, entre julho de 2018 e abril de 2019, as empresas brasileiras expediram quase 1,05 milhão toneladas de algodão em pluma.

A China é o maior cliente no período, destino de quase 40% do volume comercializado. “Como os meses de maio e junho integram o ciclo de exportação de 2018, mantida a média mensal, o Brasil exportará o excedente disponível e consolidará a esperada condição de segunda maior origem da pluma no comércio global”, diz Snitcovski. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) ratifica a opinião em seu relatório do mercado mundial em abril.

O crescimento da produção brasileira – e das exportações – não ocorre por acaso ou por impulso. É uma ação programada de maneira estratégica e que encontrou ainda mais espaço diante da incapacidade produtiva de seus principais concorrentes. Pela qualidade de fibra e pela competitividade que vem alcançando, a cotonicultura brasileira tem avançado sobre a instabilidade de alguns países concorrentes, como a Índia e a Austrália, que nesta temporada enfrentaram quebra produtiva, por causa da interferência do clima desfavorável sobre seus cultivos.

O dirigente reconhece que o fortalecimento e a expansão das posições brasileiras no mercado devem-se não apenas ao crescimento vegetativo, do consumo ou da demanda, mas à competência produtiva e comercial. “Nossa cadeia produtiva é competente e organizada. Por isso, consolida e expande ano a ano os seus mercados”, atesta.
Milton Garbugio, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa), explica que a venda da safra 2017/18 já havia alcançado 98% até o final de abril. “Será mais um ano de resultado positivo, embora as margens para alguns produtores não sejam tão altas como em outra temporada”, admite.

Seguindo em alta

De acordo com o presidente da Abrapa, Milton Garbugio, a expectativa do setor é de que a área plantada siga crescendo por mais algumas safras e de que a próxima temporada produtiva e comercial, apesar de grandes desafios, se consolide também com êxito. “Temos, ainda, um pouco de fôlego para crescer, graças a um importante trabalho de base, agregação de tecnologias e rígido controle de custos e de qualidade do campo ao navio, e uma bem-administrada política de comercialização, que nos garante um lugar de destaque no mercado global”, sintetiza. (Cleiton dos Santos)

 Fonte: Editora Gazeta